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Plataforma continental, 10% de área, 90% da vida marinha

Plataforma continental é uma faixa de terra submersa existente em todo litoral de todo o continente que, em suave declive, termina ao dar origem ao talude continental. Geralmente, a plataforma tem uma extensão de 70 a 90 km, e profundidade de 200 metros, antes de atingir águas oceânicas mais profundas. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar estipula que as plataformas continentais de todas as nações sobre as quais elas têm soberania econômica exclusiva não devem exceder 200 milhas náuticas da costa de qualquer país.

Formação das plataformas continentais
Ao longo de muitos milhões de anos, os materiais orgânicos e inorgânicos formaram as plataformas continentais, à medida que os rios carregavam sedimentos – pedaços de rocha, terra e cascalho – até as bordas dos continentes e no oceano. Esses sedimentos gradualmente se acumulam em camadas nas bordas dos continentes.

Muitas plataformas continentais já foram terra seca. Cerca de 18.000 anos atrás, no auge da era glacial mais recente, grande parte da água da Terra foi congelada em enormes massas de gelo, as geleiras. O nível do mar caiu, expondo as plataformas continentais. Durante este período glacial, os cientistas dizem que os níveis do mar foram, talvez, 100 metros mais baixos do que são hoje.
Plataforma continental, 10% da área dos oceanos, responde por 90% da produção da pesca

As plataformas continentais representam menos de 10% da área total dos oceanos. No entanto, a maioria das plantas aquáticas, animais e algas do oceano vive nelas devido à abundância de luz solar, águas rasas e sedimentos ricos em nutrientes que fluem para eles a partir das saídas dos rios. Como resultado, espécies de peixes tão importantes como o atum, o bacalhau, a cavala e outros, prosperam nas, e ao redor, das plataformas continentais. Alga marinha, algas gigantes, algas e plantas aquáticas crescem para se tornarem fontes de alimento na base das cadeias alimentares. Como resultado, as áreas de plataforma continental fornecem 90% do peixe produzido no mundo, de acordo com vários estudos.

Parte do fundo do mar mais utilizada pela sociedade…
Resumindo, plataforma continental é a parte do fundo do mar mais utilizada pela sociedade. Embora as áreas de plataforma respondam por pouco mais de 8% das áreas marinhas do mundo, elas são a parte do mar mais utilizada para navegação, recreação, pesca e aqüicultura, exploração mineral, disposição de resíduos e, cada vez mais no futuro, no produção de energia renovável a partir de ondas, correntes de maré e vento.

…Ameaças à plataforma continental
Por ser a parte do oceano mais próxima da costa, de onde se tira a maior parcela da pesca, e onde há a maior pressão da navegação, exploração mineral, e disposição de resíduos, é a parte onde chega mais rápido as consequências da nossa ação. Lembrando que mais de 50% da população mundial mora nas regiões costeiras. Portanto, há que considerar a brutal pressão da presença humana, e consequente poluição.
Plataforma continental brasileira

O professor Fábio Hazin, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, assim se referiu a ela: “O mar brasileiro, com 8,5 mil quilômetros de costa e 4,5 milhões de quilômetros quadrados de Zona Econômica Exclusiva (ZEE), representa quase a metade de todo nosso território terrestre. Juntamente com a Amazônia “verde”, essa “Amazônia azul” constitui, certamente, uma das últimas e mais importantes fronteiras científicas por desbravar no país, além de representar um patrimônio de valor inestimável para a herança do Brasil

O Brasil e sua dependência do mar
O Brasil tenta, mas não consegue, esquecer ou apagar sua dependência do mar. Este site tem dito desde nossa primeira matéria, ‘que nós temos uma responsabilidade especial com relação ao mar’. Somos a maior nação do Atlântico Sul. Ocupamos a maior parte da margem ocidental do oceano, como consequência, temos prioridade na exploração de 4,5 milhões de quilômetros quadrados de Zona Econômica Exclusiva; e 95% de nosso comercio exterior é feito pelo mar. Para coroar, somos cria de um dos povos mais marinheiros da história da humanidade, os nautas lusitanos. Apesar de tudo, ainda não temos políticas públicas para este espaço tão especial. E a maioria dos brasileiros sequer sabe de sua existência e potencialidades. Como se sabe, só se preserva (e valoriza), aquilo que se conhece. Hora de mudar.

Faltam divulgação e políticas públicas
A esperança nunca morre. Torcemos para que o novo governo, que pretende corrigir os rumos do lulopetismo, aproveite a deixa e faça sua parte. No Brasil só conseguimos avanços esporádicos, frutos das oportunidades do momento. Este foi a caso da criação das duas maiores áreas marinhas protegidas no Governo Temer. Contamos com o fator ‘sorte’, um presidente com baixos índices de popularidade procurava, no mesmo momento, agradar segmentos da sociedade e mudar o jogo. É preciso mais que mero acaso. A pouca informação a respeito da importância dos oceanos leva a população a manter hábitos perniciosos, como descarte de lixo em lugar errado, construções irregulares, ocupação desordenada, etc. Para mudar, só se o ‘Brasil oficial‘ incluir os oceanos em sua agenda de prioridades.

Esperança por dias melhores?
Por que não? Motivos concretos não há. Analisamos a plataforma dos candidatos à presidência e ficamos decepcionados com quase todos, que ignoravam solenemente o mar. Este foi o caso do programa de Bolsonaro. Além disso, o presidente sempre que pode mostra sua irritação com os ‘ativistas’ e, sobretudo, “o ‘xiitismo’ das pessoas que veem cuidando do Ministério do Meio Ambiente”, como declarou. Não por outro motivo, queria transformar o ministério num apêndice do Ministério da Agricultura. Bolsonaro, que tem pouquíssima experiência pública, ficou surpreso com as críticas dos próprios ruralistas, alertando para possível retaliação ao agro no comércio exterior. Porque, ao menos lá fora, dão valor a um meio ambienta saudável. E voltou atrás. Menos mal. Ao menos ele demonstra um mínimo de humildade, e recua quando percebe o erro. Nós faremos nossa parte sempre que possível, lembrando a necessidade de políticas públicas, e mais divulgação.

Fonte: Estadão

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