Seja bem-vindo ao site dos Amigos da Marinha (Página não oficial)
Home JÚLIO LOBATO DOS SANTOS, UM DOS SOBREVIVENTES DO TORPEDEAMENTO DO NAVIO BUARQUE (15 DE FEVEREIRO DE 1942 – DOMINGO DE CARNAVAL)
JÚLIO LOBATO DOS SANTOS, UM DOS SOBREVIVENTES DO TORPEDEAMENTO DO NAVIO BUARQUE (15 DE FEVEREIRO DE 1942 – DOMINGO DE CARNAVAL)

O navio mercante de propriedade da Companhia LLOYD BRASILEIRO, BUARQUE, comandado pelo Capitão João Joaquim de Moura foi torpedeado em 15 de fevereiro de 1942, pelo submarino U-432 ao largo do Cabo Hatteras, localizado no litoral do estado norte-americano da Carolina do Norte. O Cabo Hatteras era considerado ponto chave para a navegação ao longo da costa oriental dos Estados Unidos e era conhecido como “Cemitério do Atlântico” dado que naquela costa foram muitos os navios que naufragaram ou se perderam.

A bordo do Buarque estava o 2º Taifeiro JÚLIO LOBATO DOS SANTOS, sobrevivente e avô paterno do administrador da página e que legou documentos da época sobre o naufrágio.

No dia 16 de janeiro o Buarque zarpou do Porto do Rio de Janeiro com destino à Nova York com escalas em Salvador. Maceió, Recife, Cabedelo, Natal, Fortaleza, São Luís, Belém, La Guaira (Venezuela) e Curaçao (Antilhas Holandesas).

Em 09 de fevereiro completadas todas as escalas antes do destino o Buarque suspende com destino aos Estados Unidos.

Além dos 74 tripulantes o Buarque transportava 11 passageiros, dentre eles três mulheres e uma criança, sendo a carga: café, cacau, algodão e couro.

No dia 14 de fevereiro navegava iluminado com a bandeira do Brasil pintada em ambos os bordos do costado, quando por volta das 19:20 horas foi sobrevoado por uma aeronave não identificada que lançou um luminoso demarcando a posição do navio. Quinze minutos mais tarde surgiu o submarino alemão U-432 comandado pelo Capitão-Tenente Heinz Otto Schultze que acompanhou o Buarque pelo costado de boreste (lado direito da embarcação), por cerca de cinco minutos, submergindo logo em seguida.

Na madrugada do dia 15 de fevereiro, às 00:45 horas, quando o navio se encontrava acerca de 54 milhas ao norte do Cabo Hatteras , posição estimada de 36º 35’ N e longitude 75º20’ W ouviu-se um forte estrondo na proa, na altura dos porões 1 e 2, começando a afundar rapidamente.

O Comandante do navio determinou ao rádiotelegrafista que emitisse pedido de socorro o que foi feito pela estação de emergência uma vez que a principal havia sido danificada na explosão.

Em seguida foram arriadas as quatro baleeiras tendo os 74 tripulantes e 11 passageiros embarcado e em aproximadamente oito minutos concluído o desembarque.

Passados quinze minutos o U-boat disparou o segundo torpedo atingindo a meia-nau, com impacto na casa de máquinas acelerando o afundamento.

Por volta das 07:00 horas da manhã as baleeiras 02 e 04 foram avistadas por um avião norte-americano, sendo na tarde daquele mesmo dia resgatados os náufragos pela Guarda-Costeira dos Estado Unidos USCG CALYPSO, conduzindo os náufragos para o Porto de Norfolk.

A baleeira nº 01 foi localizada na manhã do dia 16 e os náufragos resgatados pelo Contratorpedeiro USS JACOB JONES sendo recolhidos 16 sobreviventes e o Comandante Moura.

A baleeira 03 foi resgatada pelo Petroleiro Americano Eagle de propriedade da Standard Oil, sendo os seus ocupantes os que mais sofreram devido as baixas temperaturas, vento forte, mar agitado e chuvas reinantes, tendo falecido na baleeira 3 o passageiro Manuel Rodrigues Gomes, de nacionalidade portuguesa, única vítima fatal do torpedeamento.

Diante das agressões o Ministro Osvaldo Aranha discursou para os manifestantes, e afirmou:

A situação criada pela Alemanha, praticando atos de beligerância bárbaros e desumanos contra a nossa navegação pacífica e costeira, impõe uma reação à altura dos processos e métodos por eles empregados contra oficiais, soldados, mulheres, crianças e navios do Brasil. Posso assegurar aos brasileiros que me ouvem, como a todos os brasileiros, que, compelidos pela brutalidade da agressão, oporemos uma reação que há de servir de exemplo para os povos agressores e bárbaros, que violentam a civilização e a vida dos povos pacíficos.

O presidente Getúlio Vargas convocou uma reunião extraordinária em 22 de agosto de 1942, com todo o ministério. Estavam presentes Alexandre Marcondes Filho, ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, e interinamente da Justiça e Negócios Interiores; Artur de Souza Costa, da Fazenda; general de divisão Eurico Gaspar Dutra, da Guerra; vice-almirante Henrique Aristides Guilhem, da Marinha; João de Mendonça Lima, da Viação e Obras Públicas; Osvaldo Aranha, das Relações Exteriores; Apolônio Sales, da Agricultura; Gustavo Capanema, da Educação e Saúde e Joaquim Pedro Salgado Filho, da Aeronáutica.

Ao término da reunião ministerial, o governo comunicou à Alemanha e a Itália que “ante o inegável ato de guerra contra o país, com o afundamento de navios brasileiros, foi criada uma situação de beligerância que somos forçados a reconhecer na defesa da nossa dignidade, da nossa soberania e da nossa segurança e da América“. Dias depois, em 31 de agosto, o governo brasileiro baixou o Decreto 10.358 que declarou estado de guerra em todo o território nacional.

Em 22 de agosto de 1942 o Brasil declara guerra ao Eixo.

O quadro que ilustra o momento do torpedeamento do Buarque foi doado ao acervo do Sanatório Naval de Nova Friburgo pelo Cel PM RR Robson da Silva Santos, neto do náufrago Júlio Lobato dos Santos.

Bravo Zulu!

Júlio e seu neto Cel PM RR Robson

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *